• Renata Cunha

Impermanência



Há muita gente que pensa que pode ter o outro. Ele não.


Ela foi embora e ele não chorou. Perguntavam "Por que você não chora? Você não amava ela?". Ele dizia "Sim. Com todo o meu coração". Mas ninguém entendia. Ninguém entendia o seu desapego. Mas o amor é isso mesmo. Amor é deixar ir. Quando ele disse sim, declarou a aceitação do seu amor, quando disse "Com todo meu coração", se entregou e pronto. Entregar-se é tirar-se o peso, ter leveza, poupar esforços. Uma vez que aprende-se o segredo, acaba-se o desperdício de vida, e sem demora, até daquele que é o mais escasso se faz transbordante em boas memórias.


Pensar nela era sorrir. Apenas. Quem se apega é porque julga pertencer a este mundo, mero engano. Pertence-se apenas a sua própria alma. E que isso baste. É grandioso demais. Ela se foi. Num dia qualquer, numa noite, numa hora e meia, às 2h., às 3h., quando fosse a vontade de seu criador, seria dele a vez de reluzir, brilhar na beleza da impermanência.

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